Patrono Citações

 

 

“(…) sempre me pareceu pior o desvio de elite que o das massas: a intervenção activa, por inoperante e ingénua que seja, mantém-nos solidários com a nossa humanidade e em guarda contra a alienação, enquanto que o intelectualismo estrito, muito embora justificado e legítimo, aristocratiza, isola e hiperaliena. Acomodei-me à práxis do imediato e do quotidiano e amordacei o pequeno escritor que trazia em mim, dando a primazia ao político, que talvez inicialmente não fosse, mas que, à força da experiência, acabei por ser.“

(Sacramento, M., Diário, p.21)

“Não tendo podido afirmar-se, no plano ideológico, filosófico e político-social, em termos de linguagem directa, dados os óbices da Censura, ausência de jornais e revistas, impossibilidades de reunião e agrupamento, apreensão de livros, prisões arbitrárias, etc., etc., a minha pobre geração adaptou a literatura como sucedâneo desses meios de comunicação e diálogo com a realidade."

(Sacramento, M., Diário, p.21)

“Parece que é sorte minha ir falhando aquilo em que toco.”

( Sacramento, M., Diário, p.24)

“Diz-se que o homem são é o homem adaptado. Mas quem pode adaptar-se ao fascismo senão renegando a sua condição de homem? “

( Sacramento, M., Diário, p.22)

“Que seria de nós se uma lucidez de apocalipse nos tornasse cônscios de que nada, mesmo nada vale afinal a pena. Sabemo-lo, em qualquer caso, mas temos a força e a liberdade de o negarmos, felizmente.”

(Sacramento, M., Diário, p.21)

“Como pode debruçar-se atentamente sobre o sofrimento dos outros quem está em ferida por dentro?"

(Sacramento, M., Diário, p.21)

“Sentimentalóide, foi sempre o medo de me esfarrapar em ternura que me criou o complexo de frieza intelectualizada.”

(Sacramento, M., Diário, p.20)

“Em todas as prisões da minha vida (e já vou em cinco), procedi do mesmo modo: nunca acreditar na traição senão perante a evidência. É possível que isto não passe de idealismo inveterado, que se recusa a alienar a fé no homem (e quem pode viver sem ela?), mas é, de qualquer modo a única forma de conservar a moral. E sem ele, nada feito."

(Sacramento, M., Diário, p.47)

“Derrubem o fascismo, se nós não o pudermos fazer antes! Instaurem uma sociedade humana. (…) Aprendam com os erros do passado. E lembrem-se de que nós, os mortos, iremos, nisso, ao vosso lado!

Façam o mundo melhor, ouviram? Não me obriguem a voltar cá.”

(Sacramento, M., Carta Testamento)

“Dificilmente se compreendia, com efeito, que a fé separasse os homens no que mais humano intimamente os une: a sua própria condição humana.”

(Sacramento, M., Frátria: Diálogo com os católicos (ou talvez não), p.43)

“Que seria de nós se uma lucidez de apocalipse nos tornasse cônscios de que nada, mesmo nada vale afinal a pena. Sabemo-lo, em qualquer caso, mas temos a força e a liberdade de o negarmos, felizmente.”

(Sacramento, M., Diário, p.21)