Numa abordagem interdisciplinar da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os alunos da turma 12º F, com os seus professores de Economia C e de Sociologia, concretizaram o projeto de Cidadania e Desenvolvimento e Domínios de Autonomia Curricular, realizando um encontro on line com a Dra. Ana Gomes, na sua qualidade de jurista e vasta experiência de diplomata e deputada europeia, com longo percurso na defesa dos direitos humanos.

Assim, no dia 29 de abril, este encontro decorreu na plataforma Teams, sob o lema “O que é justo nunca é impossível”: não foi uma palestra formal, mas uma conversa aberta e animada pelo interesse dos alunos que, colocando questões pertinentes à convidada, quiseram saber da sua atuação prática em situações tão concretas como o processo de independência  de Timor, ou a problemática vivida na Faixa de Gaza, tendo a oportunidade de dialogarem informalmente com Ana Gomes sobre o seu papel como embaixadora de Portugal na Indonésia, o seu desempenho enquanto deputada no Parlamento Europeu, ou de conhecerem as suas experiências ao longo da vida em situações-limite vividas no terreno.

O balanço dos direitos humanos em Portugal aqui e agora, foi também preocupação levantada pelos alunos, tendo sido a frase que nos serve de lema “O que é justo nunca é impossível”, proferida pela nossa convidada, face a algum ceticismo que muitas vezes nos pesa pelo confronto com uma realidade ainda longe da salvaguarda inequívoca dos direitos que se querem de todos e para todos. “O que é justo nunca é impossível”, afigurou-se-nos, então, como a melhor forma de dizermos a esperança lúcida e a resiliência necessária que, nesta atividade, quisemos ter como objetivo.

Relativamente ao encontro interdisciplinar entre Sociologia e Economia C, enquadra-se nas aprendizagens essenciais de ambas as disciplinas esta abordagem de  vetores que não devem ser concetualizados de forma parcelar, ou lecionados teoricamente sem um questionamento crítico  dos aspetos e dos problemas inerentes à economia atual e da problemática da sustentabilidade social, num quadro em que o conceito de desenvolvimento surge frequentemente em conflito com a consciência ética orientadora dos Direitos Humanos num estado de direito. Logo, a contextualização do papel da ação coletiva e dos movimentos sociais, e a problemática da justiça social perante factos da economia mundial, onde o economista não deve perder o rosto humano e o sociólogo tem o dever ético de diagnosticar os males do tempo para que acção aconteça, foi o ponto de encontro destas duas disciplinas para a concretização da atividade referida.

Auscultados todos os intervenientes, podemos considerar cumprido o projeto DAC / Cidadania, ainda que não tenha tido projeção material visível na escola. Mas esperamos que tenha sido contributo para o crescimento da consciência crítica dos jovens que agora terminam o ensino secundário, entendendo-a como ponto de partida para uma cidadania, de facto, aberta ao diálogo informado e à ação social.

Os alunos da turma 12ºF

Os professores Bruno Moreira e Fernanda Lagarto